O Silêncio dos Pinheiros – Capítulo 4

o retorno à vila da neve

O Silêncio dos Pinheiros

O caminho até o bosque começa atrás da vila, onde as casas rareiam e a neve se acumula sem ser perturbada por passos humanos. Helena Frost segue sozinha. O silêncio ali não é vazio. É atento. Os pinheiros se erguem altos, antigos, alinhados como sentinelas que nunca abandonaram seus postos.

O vento passa entre os galhos carregando um som baixo e contínuo. Não chega a ser um lamento. É mais próximo de um aviso. Helena caminha devagar, sentindo o frio atravessar as botas, subir pelas pernas, instalar-se no peito. Ela conhece aquele lugar desde antes de saber nomear o medo. Foi ali que aprendeu a escutar o que não era dito.

Os troncos escuros contrastam com o branco ao redor. Cada árvore parece guardar uma história, um fragmento de alguém que viveu demais ou partiu cedo demais. Helena fecha os olhos por um instante e os nomes retornam, um a um, como se fossem chamados pelo próprio bosque. Alguns soam nítidos. Outros chegam quebrados, quase irreconhecíveis.

Ela para diante do pinheiro mais antigo. A casca é áspera, marcada por cortes antigos, símbolos feitos por mãos jovens que acreditavam que deixar marcas era o mesmo que permanecer. Helena toca o tronco e sente uma estranha familiaridade. Não é conforto. É reconhecimento.

O ar ali é mais denso. O tempo parece desacelerar, respeitando a gravidade daquele espaço. Helena percebe que não voltou apenas para lembrar. Voltou para ouvir o que foi silenciado. O bosque não julga. Apenas devolve aquilo que lhe foi confiado.

Quando abre os olhos, a neve começa a cair mais forte, abafando ainda mais os sons. Ainda assim, ela tem a impressão de que alguém pronunciou seu nome. Não em voz alta, mas dentro dela. O silêncio dos pinheiros envolve Helena Frost como um pacto antigo.

Ela entende então que a vila pode esconder segredos, mas o bosque jamais esquece.

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