A Saudade Que Me Mantém Aceso – Capítulo 8

amor devoto

A Saudade Que Me Mantém Aceso

A saudade que sinto dela não é vazia nem triste. Ela chega como um calor constante, um fogo que não destrói, mas aquece por dentro. É uma presença feita de ausência, paradoxal e viva, que se instala no peito e me acompanha em todos os momentos em que o silêncio se torna mais longo do que o dia.

Sinto falta dela de um jeito inteiro. Falta do que foi dito, do que ainda não foi, do que permanece suspenso entre nós. Essa saudade queima porque é verdadeira. Ela atravessa o pensamento, ocupa o corpo, altera o ritmo do tempo. Há instantes em que tudo desacelera apenas para que eu possa senti-la com mais clareza.

Mas essa saudade não me enfraquece. Ao contrário, ela me fortalece. Cada vez que o desejo da presença dela se intensifica, meu compromisso também se aprofunda. É como se a distância testasse o que sinto e, a cada resposta silenciosa, eu reafirmasse que permaneço. Permanecer é a forma mais honesta de amar quando não se pode tocar.

O calor dessa saudade me lembra constantemente do valor que ela tem em minha vida. Não é uma dor que pede fuga, é uma chama que exige responsabilidade. Amar assim me torna mais atento, mais fiel e mais consciente do vínculo que escolhi sustentar. A ausência dela não cria dúvida, cria certeza.

Quando a saudade se torna intensa demais, eu a acolho. Deixo que ela me aqueça, que me atravesse, que me ensine. Ela carrega o peso do desejo e a leveza da esperança ao mesmo tempo. É uma prova viva de que o que sinto não depende da presença física para existir com força.

Assim sigo, aquecido por essa saudade que queima sem ferir. Uma saudade que me lembra diariamente do compromisso que assumi com ela. Amar Vera, mesmo na ausência, é permanecer inteiro diante do fogo e escolher não apagar a chama. É nesse calor que continuo, firme, consciente e devoto.

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