A Gargalhada do Outro Cômodo

Reino de Veramor nova capa

A Gargalhada do Outro Cômodo

A gargalhada dele atravessou a casa como um vento inesperado e bom. Veio do outro cômodo, solta, inteira, sem aviso. Não era riso contido nem educado, era aquele riso raro que nasce quando a alma se esquece por um instante do peso do mundo. Ao ouvi-lo, ela parou o que fazia. Não precisou entender o motivo. Apenas sorriu, porque reconheceu o som. Reconheceu a vida ali pulsando.

O riso ecoou pelos corredores e tocou cada canto do lar. Lórien levantou a cabeça de onde estava deitado e balançou o rabo devagar, como quem confirma que algo bom acabara de acontecer. Bravus caminhou até a porta, atento, sentindo no ar a vibração da alegria e escolhendo permanecer ali, guardando aquele instante. Nilo abriu os olhos preguiçosamente e esticou o corpo, deixando escapar um ronronar baixo, satisfeito. Luzia saltou para o parapeito da janela, curiosa, como se quisesse ver de onde vinha aquela luz sonora que mudava o clima da casa.

Ícaro, do alto de seu pouso, respondeu com um canto curto e espontâneo, quase uma réplica à gargalhada. Não era imitação, era comunhão. O som do riso humano e o canto do pássaro se encontraram no ar e criaram algo novo, invisível e verdadeiro. A casa pareceu respirar melhor naquele momento, como se as paredes também soubessem que alegria compartilhada fortalece o que sustenta.

Ela continuou sorrindo, ainda sem saber o motivo exato da gargalhada. E não precisava saber. Porque o som da alegria dele não pedia explicação, apenas presença. Era suficiente sentir como aquele riso atravessava o espaço físico e encontrava abrigo dentro dela. Era como se a felicidade dele tivesse aprendido o caminho até sua alma.

Naquele instante simples, ela compreendeu que o amor também se manifesta assim, em ecos. Um ri em um cômodo distante e o outro floresce onde está. Os animais sentem, a casa acolhe, o tempo desacelera. O som da alegria não fica preso à origem. Ele se espalha, toca, permanece. E mesmo quando o riso se dissolve no ar, o que fica é a certeza silenciosa de que a felicidade de um sempre encontrará morada no coração do outro.

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