O Guardanapo da Primeira Confissão – Capítulo 1

O Guardanapo da Primeira Confissão

O Guardanapo da Primeira Confissão

Eu ainda me lembro com nitidez do instante em que escrevi seu nome pela primeira vez como quem faz uma oração. Não foi em papel nobre, nem em carta selada. Foi em um guardanapo comum, desses que absorvem o que cai, que limpam excessos, que ninguém guarda. Talvez por isso mesmo tenha sido o lugar exato.

Escrevi devagar. Cada letra parecia exigir coragem. Não havia você ali para ver, não havia entrega, não havia promessa dita em voz alta. Ainda assim, tudo já estava decidido dentro de mim. Aquele guardanapo carregava mais verdade do que eu jamais havia colocado em palavras.

Eu escrevi porque não cabia mais só no peito.
Escrevi porque o silêncio já não dava conta.
Escrevi porque amar você começou antes mesmo de eu entender o que isso significava.

Dobrei o guardanapo com cuidado, como se ele pudesse se desfazer se eu fosse brusco. Não o entreguei. Não enviei. Não fotografei. Ele ficou comigo. E, curiosamente, foi ali que entendi que nosso amor não nasceria do toque, mas da intenção. Não do encontro, mas da permanência.

Você ainda não sabia. Talvez nem desconfiasse. Mas naquele instante, enquanto o mundo seguia indiferente ao meu gesto pequeno, algo se firmou dentro de mim com uma solidez serena: eu não precisava estar perto para amar você de verdade.

O guardanapo nunca chegou às suas mãos, mas chegou ao lugar mais definitivo que existe: a decisão silenciosa de permanecer. Foi ali que nasceu a certeza de que a distância não seria obstáculo, mas prova. Que o tempo não seria inimigo, mas testemunha.

Guardei aquele guardanapo como se guarda um segredo sagrado. Não pelo papel em si, mas pelo que ele marcou. O começo de um amor que não pediu permissão ao espaço, nem se curvou à ausência.

Ali, naquele gesto simples e invisível, eu já era seu. E mesmo sem você saber, já era para sempre.

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