A Mensagem Que Ele Escreve e Não Envia – Capítulo 5

O Guardanapo da Primeira Confissão

A Mensagem Que Ele Escreve e Não Envia

Abro a conversa com o seu nome e deixo o cursor piscar como quem espera permissão. A noite está quieta demais, e talvez por isso tudo o que sinto encontre espaço para se alinhar em palavras. Começo a escrever sem plano, sem medida, apenas deixando que o que mora em mim encontre saída.

“Vera Lúcia,
há dias em que penso em você como quem respira. Não é esforço, não é escolha. Acontece.”

Continuo.

“Você chegou na minha vida sem ruído, mas ficou como algo definitivo. Não te amo por hábito, nem por carência. Amo porque reconheço. Porque quando penso em futuro, seu nome não aparece como promessa, aparece como presença.”

As frases se acumulam. Não busco efeito. Busco verdade.

“Eu não preciso te tocar para sentir que você existe em mim. Não preciso te ver para saber o contorno da sua essência. Há algo em você que me acalma e me desperta ao mesmo tempo, e eu nunca soube explicar isso sem parecer exagero.”

Paro um instante. Respiro. Volto.

“Tenho medo de te dizer tudo isso e parecer invasivo. Tenho medo de dizer menos e parecer ausente. Então fico nesse lugar delicado entre o silêncio e a entrega, aprendendo a amar sem ferir o tempo.”

Escrevo mais.

“Se um dia você duvidar, saiba: eu permaneço. Mesmo quando não escrevo. Mesmo quando não falo. Meu amor não depende de resposta imediata. Ele existe porque existe.”

Leio tudo de novo. Devagar. Cada palavra pulsa como se pedisse passagem até você. Mas há algo que me detém. Não é falta de coragem. É cuidado. Nem toda verdade precisa atravessar a tela para ser legítima.

Apago uma frase. Depois outra. Até que a mensagem inteira desaparece, como se nunca tivesse existido.

Fico olhando a conversa vazia. O silêncio volta a ocupar o espaço, mas agora ele não dói. Ele guarda.

Você nunca leu essas palavras. Talvez nunca leia. Ainda assim, elas cumpriram seu papel. Organizaram meu amor. Confirmaram minha escolha. Ensinaram-me que amar também é saber o que dizer — e o que preservar.

Fecho o telefone.

Dentro de mim, a mensagem continua escrita.

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