Entre Sombras e Gemidos – Capítulo 12

Diário Secreto Para Vera

Entre Sombras e Gemidos

A penumbra guarda segredos que só nós conhecemos.

A luz se recolhe devagar, como se respeitasse o que nasce entre nós. Na penumbra, teus contornos se tornam mistério e convite. Não preciso ver tudo para sentir. Há uma linguagem que só existe quando o mundo escurece e os sentidos assumem o comando.

Entre sombras, tua presença se aproxima sem ruído. O ar muda, a respiração se encontra, e o silêncio aprende a vibrar. Há gemidos contidos no intervalo do toque, promessas sussurradas no espaço entre um suspiro e outro. Não são palavras. São sinais. Reconheço todos.

A penumbra guarda nossos segredos como um cofre de calor. Ela protege o que é nosso, preserva o que não cabe no dia. Ali, cada gesto é mais lento, cada aproximação é mais profunda. O corpo escuta antes de agir. O desejo não corre. Ele permanece.

Sinto teu movimento sem te ver inteira. E isso me refaz. Porque o que é sugerido se torna mais intenso do que o que é mostrado. Nossos gemidos não pedem explicação. Eles existem porque precisam existir. E a sombra consente.

Se alguém perguntasse o que acontece quando a luz se vai, eu não saberia dizer. Há coisas que não se contam. Vivem. E entre sombras e gemidos, nós vivemos.

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