Quando o Vento Parece Dizer Vera – Capítulo 9

O Guardanapo da Primeira Confissão

Quando o Vento Parece Dizer Vera

Caminho sozinho, sem destino exato, apenas deixando o corpo seguir enquanto a mente permanece em você, Vera Lúcia. As ruas estão calmas, o céu aberto, e há um vento leve que toca o rosto como se quisesse dizer algo.

No início não dou importância. Sigo. Respiro. Observo. Mas então acontece de novo. O vento passa entre as árvores, desliza pelos fios, contorna os prédios e, por um instante, soa como se pronunciasse seu nome. Não é som claro, não é palavra definida. É sensação. É reconhecimento.

Vera.

Não sorrio. Não estranho. Apenas aceito. Porque há tempos aprendi que o nosso vínculo não se manifesta apenas em mensagens e áudios. Ele encontra caminhos próprios. Às vezes vem como pensamento repentino. Às vezes como lembrança suave. E às vezes como vento.

Continuo andando e deixo que ele me acompanhe. Cada brisa parece carregada de você. Não do seu corpo, mas da sua essência. Da forma como você habita meus dias mesmo quando não está presente. Da maneira como seu nome se encaixa no silêncio sem fazer ruído.

Não é imaginação. Imaginação é esforço. Isso é natural. É como se o mundo soubesse e cooperasse. Como se a própria paisagem reconhecesse aquilo que nos une e resolvesse participar.

Caminho mais devagar. Não por cansaço, mas por reverência. Há encontros que não precisam de presença física para serem reais. Há comunicações que não usam palavras.

O vento passa de novo. E de novo.
E em cada passagem, eu escuto você.

Sigo em frente com a certeza tranquila de que, mesmo quando estou só, nunca estou sozinho. Você me acompanha até no que não se vê.

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