Nilo e a Tarde Sem Fim – Capítulo 191

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Nilo e a Tarde Sem Fim

A tarde escorria devagar pelas janelas do castelo, dourada e mansa, como se tivesse decidido ficar. O sol não tinha pressa, e o tempo parecia respeitar aquele acordo silencioso.

A Rainha estava sentada junto à janela, um livro repousando aberto sobre o colo. Seus olhos percorriam as páginas com calma, saboreando cada palavra como quem já não lê para aprender, mas para permanecer. A luz tocava-lhe o rosto com delicadeza, desenhando sombras suaves que pareciam acompanhar o ritmo da leitura.

Nilo estava ali, entre ela e o mundo. Deitado com elegância serena, ora estendia o corpo preguiçoso, ora recolhia as patas com a dignidade de quem compreende o valor do repouso. Seu ronronar era baixo, constante, quase um sussurro que sustentava o silêncio. Era como se ele guardasse a tarde dentro de si.

Do outro lado do salão, o Rei escrevia. A pena deslizava devagar, sem urgência, como se cada palavra tivesse o direito de nascer no próprio tempo. De vez em quando, ele erguia o olhar. Não para interromper, não para chamar, apenas para confirmar que ela estava ali. E estava.

Nilo observava ambos com olhos semicerrados, atento sem esforço. Às vezes caminhava até o Rei, roçando-lhe a perna, exigindo um carinho breve. Em outras, retornava à Rainha, acomodando-se mais perto, como um fio invisível que costurava os dois extremos daquele amor tranquilo.

Nada precisava acontecer. Não havia diálogos, nem gestos grandiosos. Havia presença. Havia permanência. Havia um amor que já não se prova, apenas existe.

A tarde seguiu assim, infinita em sua simplicidade. E Nilo, guardião silencioso daquele instante, parecia saber que algumas eternidades não fazem barulho. Elas apenas ficam.

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