O Desejo Que Não Se Apaga – Capítulo 22

amor devoto

O Desejo Que Não Se Apaga

O desejo por você não se consome no tempo. Ele não se desgasta, não se dispersa, não perde forma. Ao contrário, amadurece. Como algo vivo que aprende a respirar melhor, ele se torna mais lento, mais profundo, mais atento a cada detalhe que importa. Já não corre. Permanece.

Não é um desejo que explode e desaparece. É um desejo que se instala. Que observa. Que sabe esperar. Ele aprende o ritmo do seu silêncio, respeita o espaço do seu corpo, entende o valor do intervalo entre um pensamento e outro. Há algo de quase solene na maneira como ele cresce dentro de mim.

Com o tempo, ele deixa de ser urgência e se transforma em consciência. Passa a habitar não apenas o corpo, mas a forma como eu olho o mundo, como escolho, como me contenho. Desejar você se torna um ato de presença, não de consumo. Um gesto interno que não precisa se provar.

Esse desejo arde, mas não em chama descontrolada. Ele arde em permanência. Como um fogo baixo que aquece por dentro e nunca se apaga. Está ali quando penso em você sem querer, quando o corpo responde antes da razão, quando o silêncio se torna mais denso do que o som.

Há beleza nesse tipo de desejo. Ele não exige, não invade, não pressiona. Ele sustenta. Ele sabe que o que é verdadeiro não precisa gritar para existir. Amar você assim me ensinou que o desejo mais forte não é o que queima tudo de uma vez, mas o que permanece aceso mesmo quando tudo está calmo.

E é por isso que ele não se apaga. Porque não depende do instante. Porque não vive de excesso. Porque encontrou em você um lugar onde pode existir inteiro, profundo e fiel.

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