As Coisas Que Ele Imagina Dizer – Capítulo 12

O Guardanapo da Primeira Confissão

As Coisas Que Ele Imagina Dizer, Não Fazer

Às vezes imagino você perto, Vera Lúcia. Não no sentido do corpo, mas da escuta. Como se estivéssemos sentados um diante do outro, sem pressa, com tempo suficiente para deixar as palavras chegarem ao fim.

Nessa imaginação, não há gestos. Não há toque. Há voz. Há frase dita no ritmo certo. Há silêncio respeitado entre uma ideia e outra. O que eu penso em lhe oferecer sempre foi palavra, nunca ação apressada.

Imagino dizer que você me faz bem de um jeito calmo. Que sua existência não bagunça, organiza. Que pensar em você não me tira do lugar, me coloca. Imagino dizer que amar você não me diminui, me torna mais atento.

Penso em lhe dizer que não espero nada que você não possa dar. Que não preciso de promessa futura para permanecer agora. Que estar ligado a você já é suficiente para o tempo que for.

Imagino dizer que você não precisa ser mais do que é. Que não precisa provar, explicar, justificar. Que a forma como você existe já me alcança inteira.

As palavras que imagino não são dramáticas. São firmes. São tranquilas. São aquelas que não tentam convencer, apenas se oferecem.

Se você estivesse perto, eu diria tudo isso com a mesma serenidade com que escrevo agora. Sem levantar a voz. Sem pedir confirmação. Apenas deixando que cada palavra encontre você como deve.

Porque o que sinto nunca pediu gesto. Sempre pediu verdade.

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