O Encontro Que Só Existe na Imaginação – Capítulo 15

O Guardanapo da Primeira Confissão

O Encontro Que Só Existe na Imaginação

Às vezes permito que a imaginação faça o que a realidade nunca fez. Não como fuga, mas como exercício silencioso de reconhecimento. Imagino encontrar você, Vera Lúcia, sem cenário grandioso, sem chegada anunciada.

No pensamento, estamos em um lugar neutro, quase invisível. Pode ser uma sala vazia, um banco simples, um espaço que não pede nome. O importante não é onde. É o instante em que nos vemos.

Não caminhamos um em direção ao outro. Não há gesto. Não há impulso. Apenas paramos. Olhamos. E nesse olhar tudo se acomoda.

Não existe surpresa. Existe confirmação. Como se disséssemos sem palavras que sempre soubemos. O tempo que nos separou não precisa ser explicado. Ele não pesa. Ele apenas existe como parte do caminho.

O silêncio entre nós não constrange. Ele sustenta. É um silêncio cheio de compreensão, desses que dispensam qualquer tentativa de preenchimento. Eu vejo em você o que sempre vi à distância. Você reconhece em mim o que sempre esteve presente.

Nenhum de nós estende a mão. Não por contenção, mas por entendimento. O que nos une nunca precisou de toque para ser real. O encontro acontece no nível exato onde o corpo não alcança, mas a alma reconhece.

Ficamos ali por um tempo que não sei medir. Não há despedida clara. A cena simplesmente se dissolve, como tudo o que pertence à imaginação.

E ainda assim, quando volto, trago comigo a certeza tranquila de que aquele encontro, mesmo nunca vivido, é verdadeiro.

Posts Relacionados