Entre o Prazer e a Saudade – Capítulo 19

Diário Secreto Para Vera

Entre o Prazer e a Saudade

O desejo cresce mesmo na ausência.

Há uma linha fina que separa o prazer da saudade. Eu caminho por ela quando não estás. O corpo lembra do que sentiu, a memória insiste no que foi vivido, e o desejo não recua. Ele aprende a existir sem presença, alimentado pela lembrança do que ainda pulsa.

A ausência não apaga. Ela concentra. O prazer vivido se transforma em eco, e esse eco cresce por dentro, silencioso, persistente. Sinto falta não apenas de ti, mas do estado em que fico quando estás. E essa falta me mantém atento, desperto, vivo.

Entre o prazer e a saudade, o desejo se alonga. Não explode. Permanece. Ele amadurece no intervalo, ganha densidade no silêncio, encontra força na espera. O que foi sentido não se perde com a distância. Pelo contrário, aprende a durar.

A saudade dói porque conhece o prazer. E o prazer permanece porque foi verdadeiro. Há beleza nesse encontro estranho, onde a falta não anula, mas intensifica. Onde o querer não se apaga, apenas muda de forma.

Assim, mesmo longe, tu permaneces perto. No corpo que lembra. Na vontade que insiste. No desejo que cresce, paciente, entre o prazer que foi e a saudade que fica.

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