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A planta da casa era clara.
Clara a encontrara dobrada dentro de uma pasta antiga, junto a documentos amarelados e recibos sem valor. O desenho mostrava todos os cômodos, corredores, escadas e até o porão. Nenhum espaço oculto. Nenhuma anomalia. A casa, ao menos no papel, era lógica.
Na realidade, nunca fora.
O armário do quarto da mãe sempre parecera mais fundo do que deveria. Clara notara isso desde criança, mas nunca questionara. Roupas penduradas à frente, caixas empilhadas ao fundo, e uma sombra constante que a luz não alcançava por completo.
Naquela tarde, decidiu esvaziá-lo.
À medida que retirava os objetos, a sensação de estar sendo observada crescia. O ar dentro do armário era mais frio, pesado, com um cheiro antigo de madeira fechada e algo metálico. Quando o último cabide foi removido, Clara viu.
Uma porta.
Não era grande. Mal ultrapassava a altura de seus ombros. A madeira escura estava alinhada à parede de forma tão precisa que se confundia com ela. Não havia maçaneta. Apenas uma fenda vertical onde dedos poderiam se encaixar.
Clara sentiu o estômago revirar.
Aquela porta não constava na planta. Não aparecia em nenhum registro. Ainda assim, estava ali, incorporada à estrutura da casa como se tivesse sido parte do projeto original.
Ela passou a mão pela superfície. A madeira estava morna, viva demais. Ao pressionar levemente, sentiu uma resistência firme, como se algo do outro lado sustentasse a porta por dentro.
O silêncio se aprofundou.
Clara pensou na gravação. Na mulher da escada. No diário de 1984. Tudo apontava para espaços que não deveriam existir, mas existiam porque alguém precisava que existissem.
Ela puxou a porta.
O rangido foi baixo, contido, quase respeitoso. Um cheiro antigo escapou pela abertura, trazendo consigo um ar estagnado, carregado de tempo e segredo. Do outro lado, havia um corredor estreito, baixo, sem janelas. As paredes eram de pedra bruta, diferentes do restante da casa.
Aquilo não era um quarto esquecido.
Era um espaço construído para ocultar.
Clara deu um passo à frente. O som de seus próprios pés parecia distante, como se estivesse entrando em um lugar fora da casa, apesar de ainda estar dentro dela. Ao fundo, algo refletia a luz fraca do quarto.
Um espelho.
Pequeno, antigo, apoiado contra a parede. A superfície estava embaçada, marcada por mãos que tocaram ali repetidas vezes. Clara sentiu o peito apertar. Aquele espaço não fora feito para conforto. Fora feito para confinamento.
Ela recuou.
Fechou a porta com cuidado, como se pudesse despertar algo se a batesse. Encostou-se à parede, respirando com dificuldade. A planta da casa escorregou de seus dedos e caiu no chão.
Agora sabia.
A casa não escondia seus segredos por acaso.
Eles haviam sido construídos.
E alguém, em algum momento, fora apagado da planta, da fotografia e da memória.
Mas nunca da casa.
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