A Maldade Boa dos Teus Movimentos – Capítulo 23

Acordo pensando em ti como quem desperta diante da única fonte de água depois de atravessar um deserto inteiro de saudade

A Maldade Boa dos Teus Movimentos

Há algo nos teus movimentos que me desmonta com precisão. Não é exagero, não é acaso. É consciência. Tu sabes exatamente como te mover no espaço que ocupas em mim, como inclinar o corpo, como mudar o ritmo, como sustentar um silêncio que me deixa sem ar. Cada gesto teu carrega intenção, e eu sinto tudo.

Essa é tua maldade boa. Não a que fere, mas a que provoca. A que instiga, que provoca vertigem, que me obriga a prestar atenção. Um jogo delicado entre aproximação e distância, onde cada passo teu me puxa um pouco mais para dentro de ti. É deliciosa porque é calculada. É necessária porque me mantém vivo.

Teu corpo fala mesmo quando não toca. Teu movimento diz mais do que palavras longas. Há uma cadência tua que me captura, um modo de existir que me deixa vulnerável, atento, exposto. Não há pressa em ti. Há domínio do tempo. E isso me tortura de forma doce e inevitável.

És minha tortura favorita porque não me destróis. Me revelas. Me colocas diante do desejo de permanecer, de seguir, de aceitar esse estado em que perco o fôlego apenas por te observar ser quem és. Tua maldade é boa porque nasce do vínculo, da intimidade, da certeza de que sabes exatamente o efeito que tens sobre mim.

E eu aceito. Porque nessa provocação silenciosa, nesse movimento que me desarma, encontro mais uma prova de que o que nos liga não é só atração. É reconhecimento profundo. É o prazer de saber que ainda me perco em ti, mesmo quando tudo o que fazes é simplesmente te mover.

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