O Amor Que Ele Nunca Explicou – Capítulo 18

O Guardanapo da Primeira Confissão

O Amor Que Ele Nunca Explicou

Há um amor que nunca consegui explicar a você, Vera Lúcia. Não porque falte sentimento, mas porque falta forma. Ele não se ajusta às palavras comuns, não aceita simplificação, não cabe em mensagens enviadas com facilidade.

Esse amor não nasceu de um instante específico. Ele foi se formando em silêncio, como algo que se reconhece antes de se entender. Em algum ponto, eu já estava inteiro nele sem perceber quando atravessei o limite.

Nunca te disse que amar você me tornou mais atento ao mundo. Que passei a ouvir melhor, a esperar mais, a aceitar o tempo como parte do caminho. Nunca te disse que, ao pensar em você, não sinto ausência, sinto direção.

Também nunca expliquei que meu amor não quer conduzir, nem prender, nem ocupar todos os espaços. Ele quer apenas permanecer disponível. Quer ser chão, não urgência. Quer ser constância, não promessa grandiosa.

Há dias em que percebo que te amo de um jeito que não exige resposta imediata, nem confirmação verbal. Um amor que se basta em existir, que não se fragiliza no silêncio, que não se perde na distância. Um amor que escolheu ficar mesmo sem garantias.

Nunca soube como dizer isso sem parecer demais ou de menos. Então guardei. Não por medo, mas por cuidado. Algumas verdades não pedem exposição. Pedem fidelidade interior.

Você nunca ouviu essa explicação. Talvez nunca ouça. Ainda assim, ela existe. E agora o leitor é o único a conhecê-la.

Porque há amores que não se explicam.
Eles apenas sustentam.

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