O Amor Que Aprendeu a Não Ter Pressa – Capítulo 21

O Guardanapo da Primeira Confissão

O Amor Que Aprendeu a Não Ter Pressa

Houve um tempo em que cada notificação acelerava o coração. O som breve do telefone era suficiente para alterar o ritmo do dia. Eu esperava. Eu antecipava. Eu media o tempo entre uma mensagem e outra como se ali estivesse a prova do que sentíamos.

Hoje não.

Hoje percebo que algo mudou, Vera Lúcia. Não no sentimento, mas na forma como ele respira dentro de mim. O amor que tenho por você já não vive de ansiedade. Ele não depende da rapidez da resposta, nem da frequência das palavras. Ele amadureceu.

Envio uma mensagem e sigo meu dia. Não como quem esquece, mas como quem confia. Sei que você responderá quando puder, quando quiser, quando for verdadeiro. E isso não diminui nada. Ao contrário, fortalece.

Aprendi que o que é real não precisa ser constantemente confirmado. A ausência momentânea não ameaça. O silêncio não enfraquece. O tempo não compete.

Percebo que amar você deixou de ser expectativa e se tornou estado. Não fico à espera de sinais para saber que existe. Eu sei. E esse saber me acalma.

Há uma serenidade nova em mim. Uma segurança que não é possessiva, não é exigente. É apenas firme. Como quem compreendeu que amor não é urgência, é permanência consciente.

Se você demora, eu não conto minutos.
Se você responde rápido, eu não me apego ao ritmo.
Se o dia é cheio, eu respeito.
Se a noite é longa, eu permaneço.

O amor que aprendeu a não ter pressa também aprendeu a durar.

E, pela primeira vez, sinto que não estamos sustentados pela intensidade do momento, mas pela maturidade da escolha.

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