A Carta Rasgada – Capítulo 16

Série – A Casa das Vozes. Suspense psicológico e mistério sobre segredos enterrados em uma antiga casa de família

A Carta Rasgada

respiração de Clara ficou irregular. A mulher da escada. O espaço escondido. A terra sob o assoalho. Tudo convergia para aquele momento descrito na carta.

A mãe sabia.

Não apenas soube depois. Sabia enquanto acontecia.

Os fragmentos finais revelavam a frase mais difícil de ler.

“Eu disse que era tarde demais.”

Clara recuou da mesa, o coração batendo forte demais. O silêncio da casa parecia mais pesado, mais atento. A carta não era apenas uma confissão. Era uma prova de que o que fora feito não tinha sido acidente nem mal-entendido.

Foi escolha.

E o silêncio posterior fora sustentado por medo.

Clara segurou os pedaços recompostos com cuidado. Agora entendia por que a carta fora rasgada. Não para apagar o passado, mas para impedir que alguém tivesse de encará-lo.

A mãe tentara esconder a verdade.

Não da casa.

Mas dela.

E, pela primeira vez, Clara percebeu que a libertação da presença que rondava os corredores talvez não dependesse apenas de descobrir o que aconteceu.

Dependia de admitir quem permitiu que acontecesse.

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