A Espera Não é Vazia – Parte II

Onde a Promessa Nasce. A promessa nasce antes da palavra porque não precisa de som para existir. Ela se forma no intervalo entre o sentir

A Espera Não é Vazia

A espera não é um espaço oco entre dois acontecimentos. Ela é presença contínua, ainda que silenciosa. Não se trata de falta, mas de permanência contida. Enquanto o mundo insiste em acelerar, a espera ensina a sustentar o que ainda não se revela por completo.

Quem espera com consciência não se abandona. Permanece atento, inteiro, enraizado no agora. Não há cobrança pelo tempo que passa, porque o tempo deixa de ser inimigo e passa a ser aliado. Cada intervalo se torna um lugar de amadurecimento, onde o afeto cresce sem ser pressionado a provar sua força.

Nesse espaço, o vínculo não se enfraquece. Ele se aprofunda. Livre da urgência, aprende a existir sem ruído, sem exigências, sem ansiedade. A espera serena não cria expectativas artificiais. Ela permite que o sentimento encontre seu próprio ritmo e se organize com verdade.

Esperar assim é um ato ativo, ainda que discreto. É escolher não apressar o que precisa de tempo. É confiar que o que tem raiz não se perde no silêncio. A espera, quando habitada com lucidez, não afasta. Ela sustenta.

E, nesse sustentar silencioso, algo essencial acontece. O amor deixa de depender do imediato e aprende a permanecer, mesmo quando tudo parece suspenso.

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