A Febre Que Me Torna Tua Presa – Capítulo 21

Acordo pensando em ti como quem desperta diante da única fonte de água depois de atravessar um deserto inteiro de saudade

A Febre Que Me Torna Tua Presa

Há um calor que me toma sempre que penso em ti. Não chega de repente, instala-se aos poucos, como uma febre que sabe exatamente onde ficar. É boa, ardente, persistente. Não dói, provoca. Não enfraquece, desperta. E quando percebo, já estou entregue a esse estado que só tu sabes causar.

Essa febre me deixa à beira de perder o controle, mas nunca da vontade. Pelo contrário, é ali que tudo se torna mais claro. Meus sentidos se aguçam, meu pensamento se fixa, meu corpo reconhece o que deseja sem hesitação. Torno-me atento, vulnerável, exposto ao que sinto por ti.

Ser tua presa não é ser capturado à força. É permitir-se ser alcançado. É saber que não corro, porque não quero fugir. Teu efeito sobre mim não me aprisiona, me revela. Mostra o quanto sou capaz de desejar, de me entregar, de aceitar esse ardor como parte de quem sou contigo.

És a febre que escolhi não curar porque nela não há perda. Há intensidade. Há verdade. Há esse estado em que tudo em mim responde ao teu nome sem resistência. E se me torno tua presa, é porque reconheço em ti o único lugar onde essa febre faz sentido existir.

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