A Forma Como Teu Corpo Me Habita – Capítulo 30

amor devoto

A Forma Como Teu Corpo Me Habita

Teu corpo vive em mim como presença sensível. Não como imagem fixa, mas como movimento interno que me desperta sem pedir licença.

Não é lembrança estática, dessas que se guardam em fotografia. É algo vivo. Um gesto que se repete dentro de mim. Uma forma de andar, de respirar, de existir — que ecoa no meu próprio corpo como se tivéssemos aprendido o mesmo ritmo.

Às vezes estou em silêncio, distraído com o mundo, e de repente você acontece em mim. Não como pensamento planejado, mas como sensação. Um arrepio leve. Uma mudança sutil na respiração. Uma consciência mais desperta da minha própria pele.

Teu corpo me habita como presença que ensina. Ele me lembra que sentir é mais do que tocar. É perceber. É reconhecer o espaço do outro mesmo quando ele não está fisicamente aqui.

Não há exagero nisso. Há sintonia. Como se algo em mim tivesse encontrado correspondência no teu jeito de existir. E desde então, carrego essa correspondência como quem carrega música por dentro.

É curioso como a ausência não apaga. Ela intensifica o que é verdadeiro. Teu corpo, mesmo distante, continua sendo movimento dentro de mim. Continua sendo direção.

E talvez seja isso o que mais me surpreende: você não está apenas diante de mim quando chega. Você já está em mim antes mesmo de cruzar a porta.

Habitar não é possuir. É fazer parte.

E você faz.

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