A Foto Que Ele Guarda Com Cuidado – Capítulo 10

O Guardanapo da Primeira Confissão

A Foto Que Ele Guarda Com Cuidado

A foto é simples. Não há cenário elaborado, não há pose estudada, não há intenção de impressionar. E talvez por isso mesmo ela seja tudo. Vera Lúcia aparece como é. Inteira sem esforço. Presente sem anunciar.

Eu não a deixo à vista. Não por vergonha, não por medo, mas por zelo. Algumas coisas não foram feitas para exposição. Foram feitas para guarda. Para silêncio. Para contemplação íntima. O amor que sinto por você não pede plateia. Pede profundidade.

Guardo a foto como quem guarda algo sagrado. Não no lugar mais acessível, mas no mais seguro. Onde não se toca por distração. Onde só se abre quando o coração está em ordem.

Às vezes a tiro de lá apenas para olhar. Não por carência. Por reconhecimento. Olho devagar. Sem pressa. Sem necessidade. Apenas para lembrar que você existe, que é real, que não é criação da saudade.

Não falo com a foto. Não beijo. Não dramatizo. Apenas permaneço. Porque amar você nunca foi sobre excesso. Sempre foi sobre respeito.

A imagem não me provoca inquietação. Ela me acalma. Ela não desperta urgência. Ela organiza. Como se sua presença silenciosa colocasse tudo no lugar certo dentro de mim.

Fecho novamente. Guardo. E sigo.

O amor continua. Mesmo quando a foto não está à vista.

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