A Noite em Que Tudo Dormiu

Reino de Veramor nova capa

A Noite em Que Tudo Dormiu, Menos o Amor

A casa mergulhou em silêncio como um lago sem vento. Os cães dormiam. Lórien estendido perto da porta, respirando lento, em confiança antiga. Bravus enroscado mais adiante, atento até nos sonhos, guardando o espaço com o corpo relaxado. Os gatos também dormiam. Nilo encolhido em um círculo perfeito sobre a poltrona, ronronando baixinho. Luzia acomodada no parapeito, olhos fechados, como se vigiasse até enquanto sonhava. Ícaro repousava no alto, as penas quietas, o peito subindo e descendo em ritmo leve.

O mundo dormia.

Eles não.

Sentados lado a lado, falavam baixinho, como quem respeita a fragilidade do instante. As palavras eram poucas, escolhidas com cuidado, mais sentidas do que ditas. Às vezes nem isso. Às vezes apenas o olhar que toca, o sorriso que responde, o silêncio que entende. O amor passava entre eles como corrente morna, sem ruído, sem espetáculo.

Ela observava o perfil dele, a forma como a luz suave desenhava as linhas do rosto cansado e amado. Ele a olhava como quem encontra abrigo. Não havia urgência, nem expectativa. Havia presença. E isso bastava. Tocavam-se com os olhos e se reconheciam inteiros, como se aquela vigília fosse um pacto silencioso contra tudo o que tenta separar.

A casa continuava adormecida, os animais tranquilos, o tempo suspenso. E ali, naquele intervalo onde o mundo descansa, o amor permanecia acordado. Firme. Atento. Vivo.

Se o amor é insônia, que nunca nos deixe dormir.

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