A Promessa do Amanhecer – Capítulo 198

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A Promessa do Amanhecer

A madrugada ainda envolvia o castelo quando o Rei e a Rainha caminharam até a varanda mais alta. O céu era profundo, tingido de azul escuro, e as estrelas resistiam nos últimos instantes da noite. O mundo estava suspenso naquele intervalo delicado entre o fim e o começo.

Eles permaneceram lado a lado, envoltos em mantos leves, partilhando o mesmo silêncio que tantas vezes lhes servira de linguagem. O ar era fresco, e havia uma quietude que não pesava, apenas acolhia.

O Rei segurou a mão da Rainha com suavidade. Ambos sabiam que o tempo, como tudo o que vive, tem seu ciclo. O corpo cansa. As estações avançam. Os dias não se repetem. Ainda assim, nada ali parecia terminar. Havia uma continuidade invisível que não dependia da matéria, nem do relógio.

No horizonte, uma linha dourada começou a surgir. Primeiro tímida, quase imperceptível. Depois mais firme. O céu foi se transformando em camadas de rosa, âmbar e luz crescente. Cada tonalidade parecia anunciar não apenas um novo dia, mas uma promessa renovada.

A Rainha apoiou a cabeça no ombro do Rei. Ele fechou os olhos por um instante, sentindo aquele peso leve que sempre lhe trouxe paz. Não precisavam falar sobre despedidas ou sobre o que viria. O amanhecer já dizia tudo.

Ícaro, ainda recolhido, soltou o primeiro canto do dia. Nilo espreguiçou-se próximo à porta, captando a mudança do ar. Luzia apareceu silenciosa no parapeito, atenta à transformação do céu. Bravus levantou-se e aproximou-se dos dois, como se também quisesse testemunhar o início.

Quando o sol finalmente rompeu o horizonte, a luz tocou seus rostos com calor suave. Não era apenas o começo de mais um dia. Era a lembrança de que o amor verdadeiro não se esgota com a passagem das horas. Ele se renova, assim como a luz retorna todas as manhãs, mesmo depois da noite mais longa.

O Rei apertou a mão da Rainha um pouco mais forte. Ela respondeu com o mesmo gesto. Ali, diante do sol nascente, compreenderam que o tempo pode seguir seu curso, mas o que foi vivido com verdade permanece além dele.

O amanhecer não era despedida.
Era promessa.

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