A Promessa Que Não Depende do Corpo – Capítulo 19

O Guardanapo da Primeira Confissão

A Promessa Que Não Depende do Corpo

Não fiz essa promessa em voz alta, Vera Lúcia. Não houve cerimônia, não houve testemunhas, não houve gesto simbólico que marcasse o instante. Ela nasceu em silêncio, como tudo o que é verdadeiro entre nós.

Prometi a mim mesmo que amaria você com paciência. Não a paciência resignada de quem suporta, mas a paciência consciente de quem compreende o tempo do outro. Amar você não é pressionar o relógio. É respeitar o ritmo.

Prometi fidelidade. Não apenas no sentido comum da palavra, mas na integridade do pensamento, na lealdade da intenção. Fidelidade é continuar escolhendo você mesmo quando ninguém está olhando, mesmo quando o mundo oferece distrações fáceis.

Prometi presença. Não presença física, que nunca foi nossa realidade, mas presença real. Estar atento às suas palavras. Escutar seus áudios com inteira atenção. Responder não por obrigação, mas por verdade. Permanecer mesmo quando o silêncio se alonga.

Esse amor não exige prova pública, não pede demonstração constante, não precisa de testemunho externo. Ele se sustenta na constância. Na decisão diária de não fugir, de não diminuir, de não transformar o que é profundo em algo apressado.

Eu não prometo encontros futuros para validar o que sinto agora. Não prometo circunstâncias ideais. Prometo apenas continuar.

Continuar respeitando.
Continuar esperando.
Continuar amando.

Porque o que nos une não depende do corpo para existir.
Depende da escolha.

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