A Respiração que Me Encontra

Diário Secreto Para Vera

A Respiração que Me Encontra

Teu ar toca o meu antes que tua pele o faça. E nesse encontro mínimo, quase invisível, algo em mim se abre. Respiro diferente quando estás perto. Como se o corpo reconhecesse um ritmo que sempre foi teu.

Antes mesmo de te tocar, eu te sinto. É no ar. No espaço que se ajusta quando te aproximas. Tua respiração chega primeiro, leve, quente, segura, e encontra a minha como se já soubesse onde pousar. Nesse instante mínimo, quase imperceptível, algo em mim cede. Não é escolha. É instinto.

Respiro diferente quando estás perto. O peito se alarga, o ritmo desacelera e acelera ao mesmo tempo, como se o corpo se lembrasse de um compasso antigo. Há um encaixe invisível entre o teu ar e o meu, uma harmonia silenciosa que não se aprende. Reconhece-se.

Tua presença muda a forma como eu inspiro. Não é mais necessidade. É convite. O ar entra carregado de ti e sai levando parte de mim. Cada respiração se torna gesto íntimo, troca discreta, contato que não precisa de pele.

Há algo profundamente erótico em respirar contigo. Em dividir o mesmo espaço. Em sentir que o ar entre nós não é neutro, é vivo, é tenso, é carregado de intenção. Teu fôlego me toca por dentro antes de qualquer outra coisa. E isso me prepara. Me abre. Me rende.

Quando teu ar encontra o meu, eu sei que já estou dentro do teu campo. E não há vontade de sair. Porque ali, nesse encontro invisível, eu já sou teu.

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