As Horas em Que Ela Não Responde – Capítulo 13

O Guardanapo da Primeira Confissão

As Horas em Que Ela Não Responde

As horas passam sem que a notificação chegue. O telefone permanece quieto, imóvel, como se também soubesse que não é momento de interromper. Vejo a última mensagem enviada e não a releio. Já sei o que escrevi. Agora é tempo de esperar.

Vera Lúcia está ausente. Não como quem se afasta, mas como quem está vivendo o próprio tempo. E eu compreendo. O amor que sinto por você nunca pediu vigilância. Nunca exigiu presença constante. Ele aprendeu a confiar.

A saudade começa a crescer devagar. Não vem como desespero, vem como lembrança contínua. Cada pequena coisa do dia parece apontar para você. Uma frase ouvida ao acaso. Um silêncio mais longo. Um pensamento que retorna sem ser chamado.

Ainda assim, não escrevo de novo. Não cobro. Não questiono. Respeitar o seu tempo é parte do que nos mantém íntegros. Amar você também é saber ficar quando não há resposta imediata.

O relógio avança. O dia muda de tom. A noite se aproxima. E em nenhum momento o respeito se rompe. Ele permanece firme, sustentando a espera como algo natural, não como sacrifício.

Quando sua resposta finalmente chega, ela não apaga as horas anteriores. Ela as confirma. Mostra que a ausência nunca foi distância real, apenas silêncio necessário.

E eu sigo certo de que a saudade pode crescer sem ferir.
Porque onde há respeito, o amor permanece inteiro.

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