As Lições do Silêncio – Capítulo 190

Reino de Veramor nova capa

As Lições do Silêncio

Os jardins respiravam calma. As flores abriam-se sem pressa, os pássaros cruzavam o céu em voos tranquilos, e o vento passava entre as árvores como uma bênção discreta. O Rei e a Rainha caminhavam lado a lado, em passos lentos, respeitando o ritmo um do outro e o ritmo do próprio tempo.

Não havia palavras. Não havia necessidade. As mãos entrelaçadas diziam tudo. Cada dedo reconhecia o outro com a intimidade de quem já percorreu muitos invernos e muitas primaveras juntos. O silêncio entre eles não era vazio. Era pleno. Era linguagem.

O Rei sentia no aperto suave da mão dela a confirmação de tudo o que haviam construído. A Rainha sentia no calor da mão dele a segurança de quem sabe que não caminha só. Não trocavam frases. Trocavam presença.

Os passos ecoavam baixos no caminho de pedras. As folhas se moviam. O mundo seguia. E eles compreendiam, sem precisar explicar, que o amor maduro não exige declarações constantes. Ele se mostra na permanência. Na constância. No simples fato de estar.

O silêncio tornava-se a língua mais bela. Uma língua feita de olhares tranquilos, de respirações em sintonia, de uma paz que só existe quando duas almas já se conhecem por inteiro.

E enquanto caminhavam pelos jardins, entendiam que algumas histórias não precisam mais ser narradas.
Elas apenas continuam.

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