As Mãos que Curam – Capítulo 181

Reino de Veramor nova capa

As Mãos que Curam

O Rei percebeu isso sem aviso, como quem reconhece uma verdade antiga que retorna. Era o toque da Rainha. Bastava que ela pousasse as mãos sobre as dele para que algo no corpo começasse a se reorganizar em silêncio. Não era força repentina, nem cura espetacular. Era retorno. Um ajuste delicado entre o que doía e o que ainda podia florescer.

Ela se sentava ao seu lado com naturalidade, como se aquele cuidado sempre tivesse feito parte da respiração diária. Suas mãos envolviam as dele com firmeza suave, aquecendo devagar, respeitando o tempo do corpo cansado. A cada movimento lento, o Rei sentia o peso se dissipar um pouco mais, como se o toque abrisse espaço para que a vida circulasse outra vez.

Não havia muitas palavras entre eles nesses momentos. O carinho se manifestava nos gestos pequenos, na atenção ao ritmo da respiração, na forma como ela percebia quando apertar um pouco mais ou quando apenas repousar as mãos já era suficiente. O amor se tornava linguagem tátil, precisa, cuidadosa.

Às vezes ela massageava seus braços, outras vezes seus ombros, sempre com a mesma presença inteira. O Rei fechava os olhos e permitia. Não por fraqueza, mas por confiança. Ele compreendia que aceitar aquele cuidado também era uma forma de amar. O corpo respondia porque o coração reconhecia.

A casa permanecia em quietude. Ícaro observava em silêncio, atento, como se entendesse que aquele momento não pedia canto, apenas respeito. Lórien descansava próximo, inteiro em serenidade. Bravus permanecia deitado, vigilante e calmo. Nilo se aproximava sem ruído e se acomodava por perto, enquanto Luzia acompanhava tudo com olhos atentos, guardando o instante como quem guarda algo sagrado.

O Rei sentiu as mãos da Rainha repousarem sobre o peito por um breve momento. Ali não havia dor, apenas presença. Ele respirou fundo e sorriu com os olhos fechados. Não era exagero chamar aquilo de milagre. Era o tipo de milagre que não chama atenção, que não precisa ser explicado. Um milagre que acontece quando alguém escolhe permanecer.

As mãos que curam não prometem eternidade sem marcas. Elas oferecem algo mais raro. A certeza de que, mesmo nas fragilidades, existe amor suficiente para restaurar o que parece cansado demais. E enquanto aquelas mãos continuavam ali, firmes e ternas, o Rei compreendeu que o verdadeiro poder nunca esteve na força, mas no cuidado que não desiste.

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