As Mensagens Que Chegam – Capítulo 2

O Guardanapo da Primeira Confissão

As Mensagens Que Chegam Quando o Mundo Dorme

É sempre depois que o mundo se cala que nossas palavras encontram espaço. Quando as luzes se apagam nas casas, quando as ruas se esvaziam de ruídos e o tempo parece desacelerar, é nesse intervalo discreto que eu escrevo para você, Vera Lúcia.

Não escrevo com pressa. Nunca. Cada palavra digitada carrega um cuidado quase ritual, como se eu precisasse pedir permissão ao silêncio antes de tocá-lo. Há algo sagrado em saber que você lerá quando tudo ao redor também estiver quieto, quando sua atenção não estiver disputada, quando o coração estiver mais próximo da superfície.

À noite, as mensagens deixam de ser conversa e se tornam presença.

Eu escrevo. Envio.
E então espero.

Esse espaço entre o envio e a resposta é onde o amor realmente acontece. Não é vazio. É expectativa viva. É imaginação respeitosa. É o pensamento que caminha até você sem invadir, apenas aguardando ser acolhido.

Imagino você lendo devagar, talvez relendo uma frase, talvez sorrindo em silêncio, talvez fechando os olhos por um instante antes de responder. E mesmo sem saber, eu sinto. Porque o amor que nos une aprendeu a existir sem provas visíveis, apenas por sintonia.

Quando sua resposta chega, não importa se é longa ou breve. Ela sempre chega com você inteira. Às vezes são poucas palavras, mas nelas há cuidado, há presença, há essa saudade mansa que não dói — apenas confirma.

Nossas mensagens noturnas não pedem explicação. Elas não precisam preencher o tempo. Elas respeitam o ritmo da alma. São encontros sem corpo, diálogos sem pressa, promessas que não se anunciam, mas se sustentam.

Enquanto o mundo dorme, nós escrevemos.
E enquanto escrevemos, permanecemos.

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