Casa – Parte X

Onde a Promessa Nasce. A promessa nasce antes da palavra porque não precisa de som para existir. Ela se forma no intervalo entre o sentir

Casa

Casa não é um lugar que se encontra no mapa. É um estado que se reconhece por dentro. Surge quando o corpo desacelera, quando o pensamento descansa e quando o afeto não precisa se justificar. Não depende de paredes, nem de endereço. Existe como sensação de pertencimento silencioso.

É casa aquilo que abriga sem prender. Onde é possível chegar sem armadura, permanecer sem esforço e partir sem medo de perder o lugar. O abrigo verdadeiro não se constrói com posse, mas com confiança. Ele não exige presença constante, apenas verdade.

Nesse espaço interior, o retorno acontece mesmo à distância. Basta um pensamento, uma memória calma, uma certeza tranquila de que há algo firme sustentando o vínculo. Casa é o ponto de referência que permanece, mesmo quando tudo ao redor se move.

O amor que se torna casa não promete estabilidade absoluta. Ele oferece chão. Um lugar emocional onde se pode repousar, recomeçar, respirar. Não resolve todas as inquietações, mas acolhe cada uma delas com humanidade.

E talvez seja isso o mais essencial. Casa não é fim, é continuidade. Um estado aberto, habitável, que permanece disponível para quem aprende a permanecer também.

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