Entre o Desejo e a Reverência – Capítulo 21

Diário Secreto Para Vera

Entre o Desejo e a Reverência

Amar é também honrar, mesmo no prazer.

Existe um território delicado onde o desejo não atropela e a reverência não esfria. Ali, amar não é tomar, é reconhecer. O prazer nasce intenso, mas caminha de mãos dadas com o cuidado, atento ao valor do outro, à dignidade do encontro.

Nesse espaço, o corpo não é objeto, é templo. Cada aproximação carrega respeito, cada gesto preserva a inteireza do que se toca. O desejo se expressa com firmeza e gentileza, sabendo que honrar é parte da entrega. Não há contradição. Há profundidade.

A reverência não diminui a chama. Ela a orienta. Ensina o ritmo, define os limites, amplia o sentir. O prazer cresce porque se sabe seguro, porque acontece onde existe consideração verdadeira. Amar, então, deixa de ser impulso e se torna presença consciente.

Entre o querer e o cuidar, constrói-se uma forma mais alta de intimidade. Uma em que o corpo celebra e a alma concorda. Uma em que o prazer não consome, ele confirma.

Assim, amar revela sua face mais bonita. Desejar com intensidade e honrar com a mesma força.

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