Fome Que Não Devora – Parte VI

Onde a Promessa Nasce. A promessa nasce antes da palavra porque não precisa de som para existir. Ela se forma no intervalo entre o sentir

Fome Que Não Devora

Há uma fome que não rasga, não exige, não esvazia. Ela se instala de maneira silenciosa e constante, como um calor interno que sustenta em vez de consumir. Não é urgência, é presença. Não é carência, é reconhecimento.

Essa fome afetiva não quer devorar o outro para se sentir inteira. Ela se aproxima com cuidado, consciente de que o que alimenta de verdade não é a posse, mas a permanência. Diferente da fome impaciente, ela sabe esperar o tempo certo, respeita o ritmo e compreende os limites como parte do próprio alimento.

O desejo que nasce dessa fome não avança para dominar. Ele se mantém atento, aquecido pela proximidade possível. Quer estar perto sem apagar o espaço, tocar sem invadir, sentir sem aprisionar. Existe como força de atração serena, que aproxima sem reduzir o outro a objeto de saciedade.

Há algo de profundamente humano nesse querer contido. Como um fogo baixo que aquece a casa durante a noite, essa fome sustenta. Não consome rapidamente o que encontra. Permanece, alimentando o vínculo com constância e delicadeza.

Assim, a fome deixa de ser falta e se transforma em cuidado. Não devora. Aquece. E, ao aquecer, cria as condições para que o amor continue existindo com profundidade e tempo.

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