Fragmentos de Luz – Capítulo 15

o retorno à vila da neve

Fragmentos de Luz

A verdade não chega inteira. Ela se apresenta em partes, como a luz que atravessa uma janela quebrada e se espalha pelo chão em desenhos irregulares. Helena Frost sente isso enquanto caminha pela vila ao entardecer. O céu está limpo, mas o frio permanece firme, lembrando que nem toda claridade aquece.

Elias Morven a acompanha em silêncio. Entre eles, não há mais ilusões confortáveis. As verdades foram ditas ou estão próximas demais para serem evitadas. Ainda assim, algo insiste em permanecer. Não com força, mas com constância.

Eles param perto do bosque, onde o sol toca os galhos cobertos de neve e cria pequenos pontos de brilho. Fragmentos de luz surgem e desaparecem conforme o vento se move. Helena observa aquele jogo silencioso e reconhece ali uma metáfora involuntária. Nada é pleno. Nada é totalmente escuro.

Ela pensa no que foi revelado, no que precisou ser encarado, no que ainda dói. A verdade não destruiu tudo, como temia. Apenas retirou o excesso. O que sobra é mais frágil, mas também mais real.

Elias se volta para ela. O olhar carrega uma pergunta que não precisa ser formulada. Helena responde sem palavras. Ela se aproxima o suficiente para que o frio entre eles diminua. Não é promessa. É escolha momentânea.

O amor tenta sobreviver à verdade não negando-a, mas aprendendo a coexistir com ela. Helena entende que amar não é proteger o outro da realidade. É permanecer quando a realidade se mostra menos gentil do que o desejo.

A luz se despede aos poucos. O entardecer cede espaço à noite. Ainda assim, alguns fragmentos permanecem refletidos na neve, insistentes.

Helena Frost caminha ao lado de Elias, sabendo que o amor não precisa ser inteiro para ser verdadeiro.

Às vezes, basta que ele continue existindo.

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