O Alvorecer Dentro Dele – Capítulo 177

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O Alvorecer Dentro Dele

Enquanto o Rei dormia, um jardim se abria dentro dele. Não era um lugar distante, mas um espaço íntimo onde a luz nascia sem pressa. Caminhos claros surgiam entre árvores suaves, e cada folha parecia carregar uma memória boa. Havia claridade no ar e um calor sereno que não vinha do sol, mas do próprio coração. Era como se um novo amanhecer estivesse sendo preparado em silêncio, brotando de dentro para fora.

A Rainha permanecia ao seu lado, sentada com calma, segurando sua mão entre as suas. Aos poucos, ela sentiu o calor retornar, discreto e verdadeiro. Não era apenas o corpo respondendo ao descanso, era algo mais profundo, uma confirmação silenciosa de que a vida continuava trabalhando por dentro. Ela fechou os olhos por um instante, em gratidão, reconhecendo naquele gesto simples a presença do sagrado.

Ícaro estava próximo, atento, emitindo notas quase imperceptíveis, como se quisesse acompanhar o ritmo do sonho. Seu canto não atravessava o espaço, mas parecia pousar diretamente no coração do Rei, misturando-se às imagens de luz e jardim. Lórien dormia perto da lareira, inteiro em confiança, enquanto Bravus permanecia deitado mais adiante, firme e tranquilo, guardando o repouso com sua presença silenciosa.

Nilo repousava junto à manta, o corpo aquecido, o ronronar suave surgindo como um fio contínuo de conforto. Luzia observava tudo do parapeito, imóvel e desperta, como quem reconhece um momento raro e escolhe respeitá-lo. Cada animal, à sua maneira, fazia parte daquele amanhecer invisível, sustentando o espaço com calma e afeto.

No sonho, o Rei sentia que caminhava em direção à luz sem esforço. Não havia medo, nem urgência. Apenas a certeza de que algo novo se formava. A fé não surgia como promessa distante, mas como experiência viva, silenciosa, concreta. Ao segurar a mão da Rainha, mesmo dormindo, ele parecia reconhecer o caminho de volta.

Quando a respiração dele se aprofundou, a Rainha sorriu com leveza. O alvorecer já havia começado, ainda que o sol não tivesse surgido do lado de fora. A vida interior se movia, firme e discreta. E naquele quarto aquecido por presenças, sonhos e amor, a fé renascia não como palavra, mas como luz que insiste em nascer.

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