O Castelo de Luz – Capítulo 196

Reino de Veramor nova capa

O Castelo de Luz

A manhã nasceu com uma delicadeza rara, como se o sol tivesse aprendido a entrar em Veramor com reverência. A luz atravessou os vitrais do castelo lentamente, filtrada por cores antigas, e espalhou-se pelos corredores como um sopro dourado. Não era apenas claridade. Era memória iluminada.

Os primeiros feixes tocaram os retratos nas paredes. Rostos de reis, rainhas, amigos e guardiões pareceram despertar por um instante, envolvidos por tons de mel e âmbar. Os olhos pintados ganharam vida breve, como se reconhecessem que tudo aquilo que havia sido vivido ainda permanecia ali, sustentado pelo afeto e pela permanência.

As flores dispostas nos salões responderam à luz abrindo-se mais um pouco. Pétalas refletiam o brilho suave, folhas cintilavam discretas, e o perfume tornava-se mais presente, como se a própria natureza entendesse que aquela manhã pedia celebração silenciosa. Nada era excessivo. Tudo estava em harmonia.

No centro do salão principal, o trono de Lórien permanecia vazio. Não havia ausência ali. Havia honra. A luz pousou sobre ele com cuidado, como um manto invisível, iluminando o espaço que por tantos anos fora ocupado por lealdade e vigília. O dourado não pesava. Acolhia. O trono não lembrava perda, mas serviço cumprido, amor oferecido sem reservas, presença que continuava mesmo no silêncio.

O Rei e a Rainha caminharam juntos pelos corredores, observando tudo sem pressa. Seus passos ecoavam baixos, respeitando a quietude daquela manhã especial. Ao atravessarem o Salão Dourado, pararam por um instante. O brilho envolvia seus corpos, tocava-lhes os rostos, aquecia-lhes o olhar. Não precisaram dizer nada. Ambos sentiam.

Veramor não era feito apenas de pedra, vidro e madeira. Era feito de tudo o que haviam atravessado juntos. Cada riso que retornou depois da dor. Cada noite em vigília. Cada animal que encontrou ali um lar e um propósito. Cada silêncio compartilhado. Cada palavra escrita, dita ou apenas sentida.

O Rei percebeu, com clareza serena, que o castelo refletia aquilo que eles haviam se tornado. Não era o contrário. A luz que agora inundava os salões não vinha apenas do sol. Vinha da forma como haviam aprendido a amar sem exigir, a cuidar sem possuir, a permanecer sem aprisionar o tempo.

A Rainha aproximou-se da janela maior. Observou o jardim, a árvore recém-plantada, os caminhos conhecidos. Seu rosto foi tocado pela luz dourada, e ela sorriu com tranquilidade profunda. Naquele sorriso havia aceitação, gratidão e uma alegria que não precisava ser exuberante para ser verdadeira.

Ícaro cruzou o salão em voo leve e pousou no alto de uma coluna, soltando um canto suave, quase cerimonial. Nilo caminhou preguiçoso pelo chão aquecido pelo sol e acomodou-se onde a luz era mais intensa. Luzia apareceu silenciosa, sentando-se com elegância no parapeito, como se guardasse a cena. Bravus repousava perto da porta, atento e sereno, sentindo que tudo estava em ordem.

O castelo inteiro parecia respirar junto.

Então compreenderam, sem necessidade de explicação. Veramor era mais do que um lugar. Era um estado de alma. Um espaço construído por dentro, sustentado por escolhas diárias, por um amor que resistiu ao inverno e aprendeu a florescer sem medo da luz.

E enquanto o dourado da manhã preenchia cada canto, o Rei e a Rainha souberam que, onde quer que estivessem, Veramor continuaria existindo. Porque havia se tornado parte deles.

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