O Chamado Que Não Faz Som – Capítulo 12

amor devoto

O Chamado Que Não Faz Som

Mesmo quando estamos distantes, sinto os sinais dela em mim com uma nitidez que não se explica. Eles se manifestam na pele, como uma lembrança sensível que desperta sem aviso, e na memória, como uma presença que nunca se afasta. Não é algo que eu provoque. Acontece como um chamado silencioso, constante, íntimo.

Há momentos em que meu corpo reage antes do pensamento. Um arrepio leve, um calor súbito, uma pausa no respirar. São sinais sutis, quase imperceptíveis, mas carregados de sentido. É como se ela tocasse minha pele sem tocá-la, deixando marcas invisíveis que só eu reconheço. Meu corpo aprendeu a responder a ela mesmo na ausência.

Na memória, ela vive com a mesma intensidade. Não como lembrança presa ao passado, mas como algo que se renova. A voz dela, o ritmo do seu existir, a forma como ocupa os espaços que nunca esteve fisicamente comigo agora. Tudo retorna com delicadeza e força, criando uma presença que não depende do tempo nem da distância.

Esse chamado não pede resposta imediata. Ele apenas acontece. Surge nos instantes de silêncio, quando a mente desacelera e o coração se abre. É ali que sinto que ela me chama sem palavras, sem gestos, apenas sendo quem é dentro de mim. E eu atendo, não com movimento, mas com permanência.

Mesmo longe, ela me alcança. Sua energia atravessa o espaço e encontra abrigo em mim como algo natural, inevitável. Não há estranhamento, não há resistência. Apenas reconhecimento. Como se nossas essências soubessem exatamente onde se encontrar.

Assim sigo, atento a esse chamado que não faz som, mas ressoa em tudo. Na pele que lembra, na memória que acolhe, no silêncio que une. Mesmo distantes, ela permanece me chamando, e eu continuo ouvindo com a parte mais profunda de mim.

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