O Desejo Que Aprende a Ficar – Parte III

Onde a Promessa Nasce. A promessa nasce antes da palavra porque não precisa de som para existir. Ela se forma no intervalo entre o sentir

O Desejo Que Aprende a Ficar

O desejo, quando nasce, costuma querer tudo de uma vez. Ele se move por urgência, confunde intensidade com pressa e acredita que tocar é a única forma de existir. Mas há um ponto em que o desejo amadurece e percebe que não precisa consumir para ser real.

Nesse estágio, ele desacelera. Aprende a permanecer sem invadir, a sentir sem dominar. Já não se impõe como chama descontrolada, mas como calor constante. Não exige acesso imediato, nem se frustra com a distância. Reconhece que há profundidade no limite escolhido e força no que é sustentado com cuidado.

O desejo consciente não perde intensidade. Ele a transforma. Deixa de ser impulso e passa a ser presença. Habita o espaço entre dois gestos, entre duas vontades que se respeitam. Não se alimenta da conquista rápida, mas da permanência silenciosa que se renova com o tempo.

Há uma intimidade discreta nesse tipo de desejo. Ele observa, acolhe, espera. Não se apaga, mas também não pressiona. Existe com firmeza e delicadeza, sabendo que o que permanece sem devorar é o que verdadeiramente se aprofunda.

Assim, o desejo aprende a ficar. Não como renúncia, mas como escolha. E, ao permanecer, encontra uma intensidade mais duradoura do que qualquer urgência poderia oferecer.

Posts Relacionados