O Milagre Chamado Amor – Capítulo 188

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O Milagre Chamado Amor

O castelo repousava em uma quietude ampla, daquelas que não pesam, apenas acolhem. As luzes estavam baixas, o ar sereno, e o tempo parecia ter aprendido a andar de mansinho. O Rei estava sentado ao lado da cama, observando a Rainha descansar. Havia um sorriso leve em seu rosto, desses que nascem sem esforço, como quem encontrou paz depois de longa travessia.

Ele pensava em tudo o que haviam vivido. Nos dias de força e nos dias de fragilidade. Nos silêncios que ensinaram mais do que as palavras. Nas mãos que tremeram e nas mãos que sustentaram. Compreendia agora, com clareza tranquila, que o maior milagre não havia sido a recuperação, nem os momentos de melhora, nem a volta da alegria. O maior milagre era o amor que permaneceu. Mesmo quando o corpo enfraqueceu. Mesmo quando o medo tentou se aproximar. O amor continuou.

A Rainha respirava com suavidade, o rosto tranquilo, como quem repousa em segurança absoluta. Seu sorriso era pequeno, quase invisível, mas inteiro. O Rei reconheceu ali a confirmação de tudo. Não era vitória sobre o tempo, era aceitação dele. Não era negação da fragilidade, era abraço. Amar, entendeu, não é evitar o desgaste. É atravessá-lo juntos.

Ícaro cantava baixinho, pousado próximo, com notas leves e contínuas. Seu canto não era anúncio, era consolo. Soava como se estivesse embalando o espaço, alinhando o ar, costurando o silêncio. A música não pedia atenção, apenas presença. E todos pareciam escutar, mesmo dormindo.

Lórien descansava aos pés da cama, o corpo já marcado pelo tempo, mas o coração intacto. Bravus estava deitado um pouco mais adiante, atento mesmo no repouso, guardando sem esforço. Nilo dormia enroscado em sua forma perfeita de círculo, emitindo um ronronar baixo e constante. Luzia permanecia no alto, imóvel, os olhos fechados, mas o espírito desperto. Cada um em seu lugar, cada um cumprindo sua forma de amar.

O castelo inteiro parecia respirar em uníssono. As paredes, os corredores, os móveis, tudo carregava a memória do cuidado, do medo vencido, da fé sustentada. Não havia tensão. Não havia expectativa. Apenas paz.

O Rei fechou os olhos por um instante e agradeceu em silêncio. Não por não ter sofrido, mas por ter amado mesmo assim. Não por ter sido poupado, mas por ter sido acompanhado. Ao abrir os olhos, encontrou novamente o rosto da Rainha e sentiu o coração aquecer sem esforço.

Naquele instante, ele soube. O milagre chamado amor não faz barulho. Não se impõe. Não se exibe. Ele simplesmente continua. E enquanto continuar, tudo estará em ordem.

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