O Nome Esquecido – Capítulo 13

Série – A Casa das Vozes. Suspense psicológico e mistério sobre segredos enterrados em uma antiga casa de família

O Nome Esquecido

O aviso veio em forma de falha.

Clara estava sentada à mesa da cozinha, cercada por papéis, anotações e o diário aberto em páginas já lidas inúmeras vezes, quando ouviu o som. Não vinha da casa inteira, apenas de um ponto específico, como se alguém tivesse sussurrado dentro de um espaço fechado.

Seu nome não foi chamado.

Foi outro.

Baixo demais para ser entendido de imediato, mas carregado de urgência. Clara levantou-se lentamente, o coração acelerado, seguindo o som até o corredor. O ar parecia mais pesado ali, comprimido, como se a casa prendesse a respiração.

O espelho do aparador refletia apenas o corredor vazio.

Então o nome surgiu outra vez.

Agora mais claro, mas ainda incompleto. Duas sílabas apenas, pronunciadas com esforço, como se custassem muito a quem tentava dizê-las. Clara sentiu um aperto imediato no peito. Não reconhecia o nome, mas algo nele se encaixava em tudo o que vinha descobrindo.

Ela correu até o caderno da mãe.

Folheou as páginas com pressa, os dedos trêmulos, buscando qualquer pista. Nomes riscados. Iniciais interrompidas. Um começo que nunca se completava. Ali estava. O mesmo som. As mesmas duas sílabas repetidas, sempre interrompidas antes do final.

O nome fora esquecido de propósito.

Clara sentiu um arrepio profundo. Esquecer um nome não era um descuido. Era uma escolha. Alguém decidira que aquela identidade não deveria sobreviver nem na memória, nem na palavra, nem na escrita.

O sussurro voltou, mais próximo.

Desta vez, Clara sentiu o ar se mover atrás dela. Não havia presença visível, mas havia intenção. Um pedido silencioso, insistente, quase desesperado.

Ela fechou os olhos.

Uma imagem atravessou sua mente sem aviso. Uma mulher jovem, parada na escada, olhando para cima como quem espera ser reconhecida. Não implorava. Apenas aguardava.

Quando Clara abriu os olhos, o corredor parecia mais estreito. As paredes pareciam inclinadas para dentro, como se a casa tentasse conter algo que ameaçava escapar.

O aviso tornou-se claro então.

Não era um pedido de ajuda.

Era um alerta.

Alguém tentava avisá-la de que lembrar o nome teria consequências. Que dar forma àquilo que fora apagado poderia romper o equilíbrio frágil mantido por décadas.

Clara sussurrou as duas sílabas em voz baixa.

O efeito foi imediato.

A casa estremeceu levemente, quase imperceptível, mas suficiente para fazer o espelho vibrar e o ar esfriar. Clara recuou, assustada, o coração disparado.

Ela ainda não sabia o nome completo.

Mas agora sabia que pronunciá-lo era um ato irreversível.

Alguém tentara avisá-la antes que fosse tarde.

E, pela primeira vez, Clara percebeu que o maior perigo talvez não fosse o que a casa escondia.

Mas o que aconteceria quando ela finalmente se lembrasse.

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