O Silêncio Que Não Afasta – Parte XI

Onde a Promessa Nasce. A promessa nasce antes da palavra porque não precisa de som para existir. Ela se forma no intervalo entre o sentir

O Silêncio Que Não Afasta

Há silêncios que não afastam. Eles se instalam entre duas presenças sem criar vazio, apenas espaço. Não são interrupções do vínculo, mas continuidade em outro ritmo. Quando o silêncio é compartilhado, ele deixa de ser ausência de palavra e se torna linguagem própria.

Nesse tipo de silêncio, não há desconforto nem necessidade de preencher o tempo. Existe confiança suficiente para permitir que cada um permaneça inteiro, sem performance, sem explicação. O vínculo não se mede pela quantidade de palavras trocadas, mas pela tranquilidade que se mantém quando elas cessam.

O silêncio profundo não rompe a conexão. Ele a aprofunda. Retira o excesso, revela o essencial, cria um campo onde o afeto se manifesta de forma mais sutil e, por isso mesmo, mais sólida. É ali que o amor mostra sua maturidade, sustentando-se sem ruído.

Compartilhar o silêncio é aceitar o outro sem demanda constante. É reconhecer que a presença não precisa ser afirmada a cada instante para continuar existindo. Há um descanso nesse espaço comum, uma sensação de segurança que dispensa provas.

Assim, o silêncio deixa de ser intervalo e passa a ser elo. Não afasta, não esfria, não fragiliza. Apenas aprofunda, permitindo que o vínculo respire e se fortaleça no que não precisa ser dito.

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