O Som do Fim – Capítulo 17

Série – A Casa das Vozes. Suspense psicológico e mistério sobre segredos enterrados em uma antiga casa de família

O Som do Fim

Vozes cessam, e o silêncio se torna ensurdecedor.

O silêncio não chegou de repente.

Ele começou como uma falha.

Naquela noite, às três da manhã, Clara despertou antes que qualquer som surgisse. Ficou imóvel na cama, aguardando os passos no corredor, o sussurro vindo da janela, o leve ranger da escada sob um peso invisível.

Nada.

O relógio marcou três e um.

Nada.

Três e dois.

Ainda nada.

O vazio era tão absoluto que seus ouvidos começaram a doer, como se procurassem algo para sustentar a própria existência. Clara sentou-se lentamente, o coração acelerado não pelo medo do que ouvia, mas pelo medo do que não ouvia.

A casa estava muda.

Ela se levantou e abriu a porta do quarto. O corredor permanecia escuro, imóvel, como uma fotografia esquecida. Nenhum sopro de vento atravessava as frestas. Nenhum eco distante vibrava nas paredes.

Desceu a escada.

Cada degrau respondeu apenas ao peso dela. Nenhuma interferência. Nenhuma presença compartilhada. A sala estava intacta. O espelho quebrado permanecia no chão, mas seus fragmentos refletiam apenas o que estava ali.

Clara foi até a janela que nunca se fechava.

Estava trancada.

O trinco firme, imóvel. Nenhum fio de vento atravessava o vidro. Lá fora, as árvores permaneciam estáticas sob a lua pálida.

Ela sentiu o peito apertar.

Correu até o armário do quarto da mãe. A porta escondida atrás dele estava selada. Não havia fenda. Não havia marca. Era apenas parede.

Clara começou a respirar com dificuldade.

O silêncio não era paz.

Era ausência.

Ela correu até o ponto do assoalho onde a terra fora encontrada. A tábua estava lisa, seca, sem qualquer sinal de umidade. O cheiro de terra molhada desaparecera por completo.

Como se nunca tivesse existido.

Clara caiu de joelhos no meio do quarto, tentando ouvir qualquer coisa além do próprio sangue pulsando nos ouvidos. Chamou pelo nome incompleto que aprendera a temer.

Nenhuma resposta.

Chamou novamente, mais alto.

O som de sua própria voz ecoou fraco e morreu rápido demais.

As vozes haviam cessado.

Não por terem sido libertadas.

Mas por terem sido caladas.

O entendimento veio como um peso esmagador.

O visitante da noite não fora apenas um aviso. Fora um limite. Ao se aproximar demais da verdade, Clara alterara o equilíbrio da casa. Algo fora interrompido antes de se completar.

E agora, em vez de sussurros e presenças, restava apenas um silêncio denso, opressor, quase físico.

Ela pressionou as mãos contra os ouvidos.

O silêncio era alto demais.

Ensurdecedor.

A casa já não implorava para ser ouvida.

Ela aguardava.

E Clara percebeu, com um frio profundo atravessando-lhe o corpo, que o fim do som não significava o fim da história.

Significava que algo estava prestes a acontecer.

Sem aviso.

Sem eco.

Sem segunda chance.

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