Quando Ficar É um Ato de Coragem – Parte XIII

Onde a Promessa Nasce. A promessa nasce antes da palavra porque não precisa de som para existir. Ela se forma no intervalo entre o sentir

Quando Ficar É um Ato de Coragem

Vivemos em um tempo que celebra a fuga. Trocam-se vínculos com a mesma facilidade com que se trocam distrações. Quando algo exige esforço, a saída parece sempre mais simples do que a permanência. Nesse cenário, ficar deixa de ser comodidade e passa a ser coragem.

Permanecer não significa suportar o insuportável, nem aceitar o que fere. Significa escolher atravessar o que pode ser construído, dialogado, amadurecido. É compreender que todo vínculo real encontrará imperfeições, desencontros e momentos de dúvida. E, ainda assim, decidir não desistir ao primeiro desconforto.

Ficar é um gesto silencioso de responsabilidade emocional. É reconhecer que o amor não é feito apenas de intensidade, mas de constância. Exige maturidade para diferenciar um desafio transitório de um limite definitivo. Exige lucidez para saber quando insistir é crescimento e quando é desgaste.

Há risco na permanência. Não há garantias de reciprocidade eterna nem de ausência de dor. Mas há dignidade em escolher construir em vez de escapar. Em um mundo que valoriza o descartável, permanecer é um posicionamento.

Quando ficar se torna escolha consciente, o vínculo ganha profundidade. Não porque nunca vacila, mas porque enfrenta a instabilidade sem fugir dela. Coragem, nesse contexto, não é ausência de medo. É a decisão de continuar, mesmo sabendo que amar é sempre atravessar incertezas.

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