Quando Te Imagino em Silêncio – Capítulo 23

amor devoto

Quando Te Imagino em Silêncio

Há noites em que te imagino em silêncio, sem pressa, como quem entra em um lugar sagrado e sabe que não deve fazer ruído. O pensamento se aproxima devagar, não para tomar, mas para reconhecer. Ele percorre teu corpo com reverência, atento aos detalhes que só a intimidade verdadeira aprende a ver.

Não há ansiedade nesse imaginar. Há cuidado. Cada gesto pensado é contido, cada aproximação é consciente. Meu pensamento não corre, ele caminha. Aprende o ritmo do teu corpo como quem aprende uma língua antiga, respeitando pausas, sentidos e profundidades.

Não é fantasia vazia, nem fuga do real. É intimidade construída no detalhe, na forma como te percebo além da imagem. Imagino a presença, o calor sutil, a quietude compartilhada. Imagino o que não precisa ser mostrado, apenas sentido. O que existe antes do toque e continua depois dele.

Nesse silêncio, o desejo não grita. Ele respira. Se torna mais fino, mais preciso, mais verdadeiro. Há algo profundamente íntimo em imaginar sem urgência, em desejar sem atravessar limites, em permanecer inteiro mesmo quando o corpo pede proximidade.

Quando te imagino assim, não me perco. Me encontro. Porque esse silêncio onde teu corpo vive em pensamento é o mesmo onde meu cuidado se confirma. É ali que a intimidade se revela não como excesso, mas como presença plena.

E nessas noites silenciosas, enquanto te imagino com calma e respeito, compreendo que amar também é isso. Sustentar o desejo com consciência. Honrar o corpo do outro mesmo quando ele só existe dentro de nós.

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