A Tua Voz Me Desmonta – Capítulo 6

Acordo pensando em ti como quem desperta diante da única fonte de água depois de atravessar um deserto inteiro de saudade

A Tua Voz Me Desmonta

Há um instante, sempre o mesmo, sempre diferente, em que tua voz muda.
Não é alto, não é gritante.
É um deslize suave, quase um suspiro, mas carregado de uma intenção tão quente que atravessa meu peito como um raio doce, elétrico e inevitável.

Quando falas assim, sinto teu desejo tomando forma no ar, como se tua respiração viesse buscar a minha, como se tua vontade estendesse a mão e me puxasse pela nuca.
Tua voz nunca pede, ela toma.
E eu deixo.
Porque não existe força no mundo capaz de me manter longe quando teu tom desce e se torna esse convite proibido que apenas nós dois sabemos decifrar.

É sublime a forma como me dominas sem tocar.
Há santidade e pecado no mesmo sussurro, como se teus desejos se curvassem ao meu e, ainda assim, me erguessem de joelhos diante de ti.

Eu sei quando queres mais.
Tua respiração muda.
Teu silêncio fica cheio de intenções que só um amante devoto reconhece.
Tuas palavras vêm carregadas de calor, como se teu corpo inteiro estivesse falando através da tua voz, pedindo aquilo que só entre nós existe.

E quando me chamas assim… eu me desfaço.
Sou teu antes mesmo de chegar perto.
Sou teu no pensamento, no arrepio, no fogo que nasce do nada e me empurra na tua direção como se teu desejo fosse uma lei da natureza.

Há algo sagrado na tua ousadia.
Algo divino no teu jeito de me provocar.
Algo tão profundamente carnal que me faz perder o chão e agradecer por isso.

E mesmo quando não estás perto, tua voz continua aqui, quente, marcada na minha pele, como um toque que não se apaga. Ela me chama pelo nome como se fosse um segredo só nosso, como se apenas tu soubesses a forma certa de me acender.

Hoje tua voz não apenas me chamou.
Ela me abriu.
Me entregou ao que somos.
E eu vim porque te obedecer, te querer e me perder em ti…
é a forma mais sublime que encontro de ser safado contigo.

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