A Lentidão Que Te Desmonta – Capítulo 11

Acordo pensando em ti como quem desperta diante da única fonte de água depois de atravessar um deserto inteiro de saudade

A Lentidão Que Te Desmonta

Há algo profundamente envolvente em te imaginar cedendo devagar, como quem se permite perder o controle sem pressa, confiando no tempo e na condução. Não é a urgência que te toca, é a espera. Cada segundo alongado cria uma expectativa que se infiltra em ti, desmontando defesas, dissolvendo certezas.

Imagino-te abrindo aos poucos para o sentir, deixando que cada gesto mínimo tenha peso, intenção e consequência. Toco-te apenas o necessário, o suficiente para que teu corpo comece a responder antes mesmo de perceber. A lentidão te alcança de um jeito que a pressa jamais conseguiria, e é exatamente isso que me enlouquece.

Há um ponto em que teu controle começa a falhar suavemente. Não por fraqueza, mas por entrega. Teu corpo aprende outro ritmo, mais profundo, mais atento, mais verdadeiro. Cada movimento meu te conduz um pouco mais para dentro do teu próprio prazer, como se eu apenas abrisse caminhos que já estavam em ti.

É nesse processo lento que te vejo se desfazer e se reconstruir ao mesmo tempo. E eu permaneço ali, consciente de cada reação, de cada suspiro contido, sabendo que não preciso ir além. Porque quando a lentidão te desmonta, tudo o que resta é verdade, desejo e a certeza silenciosa de que somos exatamente isso quando nos permitimos sentir.

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