O Retrato no Salão Dourado – Capítulo 189

Reino de Veramor nova capa

O Retrato no Salão Dourado

O Salão Dourado respirava silêncio. A luz da tarde atravessava os vitrais e se derramava suave sobre o chão polido, como se o próprio tempo tivesse decidido andar mais devagar. O pintor, discreto como uma prece, ajustava suas tintas sem perturbar o momento. Ali não se criava apenas um retrato. Ali se selava uma história.

O Rei e a Rainha estavam lado a lado. Não posavam como soberanos, mas como companheiros. O ombro dele tocava o dela com naturalidade antiga. O olhar dele buscava o dela com a intimidade de quem já atravessou tempestades e calmarias. A mão dele repousava próxima à dela, sem tocar, porque o gesto já era conhecido e não precisava ser provado.

Ícaro observava do alto da viga, curioso, atento, com a serenidade de quem cresceu vendo o amor como algo cotidiano e sagrado. Seus olhos seguiam cada movimento do pincel, como se entendesse que aquele instante não era comum. Era memória sendo criada.

O Rei refletia em silêncio. Pensava em tudo o que haviam enfrentado. As perdas, as esperas, os medos vencidos. Pensava em como o amor não os havia feito invencíveis, mas os havia feito inteiros. Compreendia, naquele momento, que quando as vozes se calarem e os passos não ecoarem mais pelos corredores, permanecerão a imagem, o gesto e a ternura. Permanecerá aquilo que foi verdadeiro.

A Rainha sustentava um sorriso leve, quase imperceptível, mas carregado de história. Não era o sorriso de quem posa. Era o sorriso de quem reconhece. Reconhece o caminho, a escolha, a permanência.

O pincel dançava com respeito. Cada traço era feito como quem toca algo sagrado. O silêncio era confortável. O tempo, generoso.

E enquanto as tintas ganhavam forma, o castelo parecia compreender. As paredes guardavam. O chão honrava. O teto protegia.

Ali, naquele Salão Dourado, não se registrava apenas um casal. Registrava-se a vitória da constância. A beleza da fidelidade. A força de um amor que não precisou gritar para existir.

Porque alguns amores não precisam ser explicados.
Eles apenas permanecem.

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