Bravus Quebra o Clima – Capítulo 206

Reino de Veramor nova capa

Bravus Quebra o Clima

A manhã chegou sem leveza. O castelo estava em ordem, os espaços organizados, a rotina seguindo seu curso, mas havia um resquício da noite anterior pairando no ar. O silêncio entre o Rei e a Rainha não era ruptura, mas ainda carregava peso.

Eles estavam no novo salão, cada um ocupado à sua maneira. O Rei revisava anotações, concentrado, tentando retomar o ritmo de seus pensamentos. A Rainha organizava alguns objetos preservados da antiga estrutura, tocando cada peça com cuidado, como se ainda estivesse ajustando seu lugar dentro daquele novo cenário.

Não havia tensão explícita.

Mas também não havia fluidez.

Bravus percebeu.

Ele sempre percebia.

Caminhava de um lado para o outro, inquieto, como se buscasse algo que não estava no chão nem nas paredes, mas no ar entre eles. Aproximou-se do Rei, encostou o focinho em sua perna, recebeu um carinho automático. Depois foi até a Rainha, que também o acolheu com um gesto suave.

Mas aquilo não era suficiente.

Bravus queria mais.

Sem aviso, ele voltou ao centro do salão e encontrou uma das caixas ainda abertas da reforma. Dentro, havia tecidos, pequenos objetos, alguns utensílios ainda sem destino definido. Com o entusiasmo que lhe era natural, ele enfiou o focinho ali e puxou o que encontrou primeiro.

Era um pano longo, leve, quase como um manto.

Em poucos segundos, Bravus começou a correr pelo salão com o tecido preso à boca, tropeçando nos próprios passos, deslizando pelo chão recém-polido, completamente entregue à própria diversão.

O pano se arrastava atrás dele como uma cauda exagerada. Em um movimento mais rápido, ele girou e acabou se enrolando parcialmente, o que só aumentou sua empolgação. Tentava se libertar, corria em círculos, derrubava pequenas caixas, fazia barulho, espalhava o caos mais inocente possível.

O Rei levantou o olhar, primeiro surpreso.

A Rainha também.

Houve um segundo de silêncio absoluto.

E então aconteceu.

Um riso escapou.

Primeiro leve, quase contido. Depois mais solto. E quando Bravus, no auge da confusão, parou no meio do salão com o pano ainda preso e uma expressão completamente despreocupada, o riso dos dois se tornou inevitável.

Eles riram.

Não porque tudo estava resolvido.

Mas porque, por um instante, tudo ficou leve.

O Rei levou a mão ao rosto, ainda sorrindo. A Rainha tentou conter o riso, mas não conseguiu. O som preencheu o salão, rompendo a camada que havia se formado entre eles.

Bravus, satisfeito, soltou o pano e aproximou-se, como se tivesse cumprido uma missão importante.

E talvez tivesse.

Nilo observava de longe, com seu olhar tranquilo, como quem já esperava aquele desfecho. Luzia manteve sua postura elegante, mas havia um leve interesse em seus olhos. Ícaro soltou um som curto, como se aprovasse o momento.

O Rei olhou para a Rainha.

Dessa vez, com presença.

Ela sustentou o olhar.

E naquele instante simples, entre risos ainda ecoando e um cachorro orgulhoso de sua bagunça, algo se reorganizou dentro deles.

Nem toda reconciliação começa com palavras.

Às vezes, começa com um riso que escapa quando o coração já não quer mais sustentar o peso.

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