O chão que nos guarda – Capítulo 46

Chuva, vinho e pele. Era fim de tarde em São Paulo. A chuva batia suave contra os vidros da sala, como se quisesse nos embalar num ritmo lento

O chão que nos guarda

A noite estava carregada de desejo, e não houve tempo para buscar cama ou refúgio. Nossos corpos se encontraram com urgência, e logo estávamos entrelaçados no chão, como se o mundo tivesse parado apenas para nos assistir. O frio da superfície contrastava com o calor da nossa pele, e cada gesto se tornava ainda mais intenso, ainda mais profundo.

Você me olhava com paixão crua, e eu respondia com força e ternura, conduzindo nossos movimentos em perfeita sintonia. O chão se tornava altar da nossa entrega, testemunha silenciosa da paixão que nos consumia. Fizemos amor sem reservas, completamente dominados pelo desejo que nos unia, e cada carícia era marcada pela certeza de que não havia limites para nós.

O suor escorria, os gemidos preenchiam o espaço, e o tempo parecia suspenso. Não havia passado, não havia futuro, apenas o presente absoluto da nossa união. O prazer vinha em ondas, repetidas vezes, e cada explosão nos deixava ainda mais próximos, ainda mais inteiros.

Quando finalmente o silêncio voltou a dominar o ambiente, permanecemos abraçados no chão, respirando ofegantes, sentindo o peso da entrega que havia nos tomado. Você sorriu com ternura e disse que adorava quando o mundo parecia desaparecer, deixando apenas nós dois. E eu soube, naquele instante, que o chão havia se transformado em eternidade gravada em nós.

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