A Saudade Que Já Não Dói – Capítulo 28

O Guardanapo da Primeira Confissão

A Saudade Que Já Não Dói

Houve um tempo em que a saudade chegava como um aperto. Não era sofrimento, mas era intensidade demais para caber em silêncio. Ela se anunciava com força, ocupava o pensamento inteiro, pedia resposta, pedia presença, pedia alguma forma de diminuir a distância.

Hoje ela ainda vem. Mas mudou.

A saudade que sinto por você, Vera Lúcia, já não dói. Ela não invade. Ela se aproxima com calma, como quem já conhece o lugar que ocupa. Não exige atenção imediata. Apenas permanece.

Percebo sua presença nas pausas do dia. Em um momento quieto, em um pensamento que surge sem esforço, em uma lembrança leve que não traz inquietação, apenas reconhecimento. Você continua aqui, mesmo quando não está em palavras.

Essa saudade amadureceu junto com o amor.

Ela deixou de ser ausência que incomoda e se tornou presença que acompanha. Não pede para ser resolvida. Não precisa ser preenchida. Existe por si, como parte natural do que construímos.

Há algo de bonito nisso. Sentir falta de alguém sem sofrimento. Pensar em você sem urgência. Saber que a distância não diminui, apenas transforma.

Às vezes sorrio sozinho ao lembrar de uma frase sua, de um áudio, de um modo de dizer simples. E nesse sorriso silencioso, entendo que a saudade encontrou um novo lugar dentro de mim.

Ela não pesa mais.

Ela caminha ao lado.

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