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O silêncio da nave era profundo, quase solene. Apenas o suave pulsar dos sistemas mantinha a sensação de que tudo ainda estava vivo ao redor. Vera observava os dados no painel quando percebeu a presença de Elias ao seu lado.
Ele não parecia inquieto com a imensidão do espaço. Pelo contrário. Havia em seu olhar uma serenidade que lembrava alguém que já havia encontrado o lugar ao qual pertence.
— Você já esteve tão longe da Terra antes? — perguntou Vera, quebrando o silêncio.
Elias sorriu de forma tranquila, como quem se recorda de algo querido.
— Não exatamente da Terra — respondeu ele. — Mas já estive longe de casa.
Vera inclinou levemente a cabeça, curiosa.
— Casa?
Ele olhou pela escotilha, onde estrelas distantes brilhavam como pequenas memórias espalhadas pelo universo.
— Orionis.
Ele disse o nome com naturalidade, sem mistério, como se estivesse falando de uma cidade antiga ou de uma rua da infância.
Vera franziu o cenho, tentando entender se ele falava metaforicamente ou se havia algo mais profundo naquela afirmação.
— Orionis… você fala como se fosse um lugar real.
Elias manteve o olhar nas estrelas por alguns segundos antes de responder.
— Para mim, é.
Havia algo na forma como ele dizia aquilo. Nenhuma necessidade de convencer, nenhuma pressa em explicar. Apenas a calma de quem sabe que certas verdades levam tempo para encontrar espaço na mente de alguém.
Vera cruzou os braços, observando-o com mais atenção.
— E como é… esse lugar?
Elias respirou fundo, como se buscasse dentro de si a memória de um horizonte distante.
— Silencioso… mas cheio de vida. As noites são claras. As estrelas parecem mais próximas, como se o universo estivesse inclinado para ouvir quem vive ali.
Ele fez uma pequena pausa.
— É um lugar onde ninguém se sente perdido.
Vera permaneceu em silêncio.
Algo naquelas palavras tocou uma parte profunda dela — uma parte que sempre carregou a sensação de estar procurando algo que nunca soube exatamente o que era.
— E por que você saiu de lá? — perguntou finalmente.
Elias voltou o olhar para ela.
Havia gentileza em seus olhos, mas também uma profundidade antiga, como se sua história atravessasse mais tempo do que qualquer relógio humano poderia medir.
— Às vezes — disse ele — a única forma de entender o que é casa… é viajando muito longe dela.
O silêncio voltou a ocupar o espaço entre os dois.
Mas agora não era um silêncio vazio.
Era o começo de uma história.
Continua
“As informações apresentadas neste site têm caráter estritamente informativo, com o propósito de ampliar o conhecimento sobre uma variedade de temas, incluindo saúde e alimentação. Os dados nutricionais e as declarações contidas aqui são voltados para fins educativos e de pesquisa, sempre com embasamento em fontes especializadas em cada área. No entanto, essas informações não substituem a orientação direta de profissionais de saúde ou nutricionistas. Se você tiver dúvidas ou preocupações sobre sua saúde ou alimentação, recomendamos que consulte um médico ou nutricionista qualificado.”
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